segunda-feira, 22 de agosto de 2011

[Gambiarristies III] TEAC A-450 : um cassete desafiador

Propaganda veiculada na revista VEJA em novembro de 1973
Eis que no início dos anos 1970  a conceituadíssima marca TEAC lança no mercado um aparelho que simplesmente revolucionou o mercado, propondo um desafio. Até então quem queria poder gravar seus discos, fazer coletâneas musicais, deveria se valer dos decks de carretel - ou tape de rolo, como chamamos popularmente aqui no Brasil.

Já havia nessa época à venda as tais fitas cassete. Mas era o formato proposto apenas para gravação de voz ou "voice memos". Gravador de repórter, mesmo. Não havia qualidade sonora o suficiente para gravação de músicas. Mesmo assim, pelo formato compacto e conveniente, muita gente gravava nesses primeiros aparelhos cassete músicas e pronto. E conveniente porque ao invés de se usar um carretel aberto, as fitas cassete tinham formato em cartucho tornando muito fácil de operar e transportar.

Claro que os fabricantes de equipamentos de som notaram esse fenômeno e passaram a investir em aparelhos cassete com som estereofônico e melhor qualidade sonora que o cassete original. Os fabricantes de fita, por sua vez, passaram a investir em melhores fórmulas químicas para o revestimento magnético da fita e controle de qualidade.

Apesar disso tudo, o cassete ainda era um formato marginalizado pelos decks de rolo, por sua deficiência em qualidade sonora bem como por seu característico ruído de fundo.

Pois a TEAC resolveu "apelar". Produziu e lançou ao mercado este deck que mostro a você agora. Um aparelho que, em números e ao vivo, praticamente se igualava em qualidade sonora aos decks de rolo comuns - não aos melhores, é verdade, mas surpreendia - e ainda surpreende - pela qualidade sonora que consegue obter das fitas cassete.

Pois então, estava proposto o desafio: Que o audiófilo mostrasse quais a diferenças de sonoridade do A-450 para um deck de rolo. Foi o ponto de mudança. O tiro certeiro que tornou então a  mídia cassete respeitada até mesmo pelos mais exigentes e a tornou um ícone pop, lembrado ainda hoje.

O TEAC A-450 era fabricado como um tanque de guerra, tudo superdimensionado, beirando ao exagero, mas tudo torneado com precisão surpreendente. E feito para durar e muito. Era caríssimo pra época e por isso o que já era raro, hoje em dia mais raro ainda.

As gambiarristies feitas nesse deck foram por conta do motor. O original é AC, sem ajuste de velocidade. O pior: foi usado com a correia patinando e desgastou a polia, quase impossibilitando restaurar a velocidade original. Como a ideia é ter mídia de intercâmbio, ou seja, que eu possa gravar fitas em um deck e ouvir em outro, parti para adaptar outro motor, mais moderno. Não que tenha sido uma melhoria, mas ao menos a adaptação é reversível. Abaixo, a fotos explicam melhor o que foi feito.

À esquerda, fonte de 12V para o motor. Base metálica recortada e soldada, para fixar o motor novo

Vendo por cima, a aparência quase original
Além desse trabalho no "trem de força", foram trocados mais de 40 componentes deteriorados, chaves desmontadas e limpas e feita recalibração. Forma muitas horas de trabalho e o resultado você pode conferir no vídeo abaixo:


E para não dizer que a diversão parou por aí, ele foi co-protagonista na baladinha do Clube do vinil. Taí a foto:

4 comentários:

  1. eu tenho um desse modelo,porem no estado para restauro,falta a tampa da fita e os knobs dos deslizantes!o resto ta inteiro!interessa compra ele pra vc? PAULO_STRONG@YAHOO.COM.BR

    ResponderExcluir
  2. Se você fez toda esta modificação porque a polia estava desgastada, não seria melhor mandar um torneiro fazer outra polia na medida certa e assim manter o motor original? Eu já revisei alguns iguais a este.

    Parabéns pelos aparelhos!

    Abraços

    ResponderExcluir
  3. Voce ainda o tem? a correia menor, que não dá pra ver porque está embaixo dessa parte dedonda grande, tem como tirar uma foto pra eu ver?

    ResponderExcluir
  4. ai voce manda pra cezarino@gmail.com , por favor

    ResponderExcluir