Minha câmera digital pifou irremediavelmente, num defeito de fabricação que só "estourou" após acabar a garantia. Pois bem, comprei outra e estou no aguardo dela chegar por aqui. Enquanto isso, vou só"desarquivando" e, como ainda tem bastante coisa prá mostrar, vai dar tempo de lotar o cartão da nova cam até que a coisa entre nos eixos e passe a ser postagens de restauros "do dia".
Pois bem, falando da Philips. Encontrei no Mercado Livre uma vitrola muito bacana, do final dos anos 50 por preço baixo. Um modelo"portátil" - e já expliquei o porquê das aspas antes - com trocadiscos.
Trocadiscos é aquele sistema que vc pode empilhar uma série de discos no aparelho que ele toca um a um até que a pilha termine e desliga no final do processo. E este Philips é um que além de fazer isso, ainda seleciona automaticamente o diâmetro, permitindo que se misture LPs e compactos na pilha mas desde que todos sejam de mesma velocidade de rotação.
Não sei muito da estória desse modelo, especificamente. Mas ao ver todo o acabamento dado a ele, o fato de ser automático e com circuito relativamnte muito elaborado para sua categoria, conclui que era um modelo de luxo. Característica interessante também, é que ele tem um sistema precursor dos "super bass" atuais: o botão à direita do controle de liga / desliga e volume, ao ser puxado no sentido longitudinal ao eixo, reforça os sons graves. Nada mau prá época, não?
E por falar em época, imaginou a turma dos anos 50 e 60 carregando a mala e os discos prá casa da menina prá fazer a festinha aos olhos atentos dos pais? Pois é, certamente esse aparelho é um testemunho daqueles tempos!
Bem, como já disse, me custou pouco a vitrola. Sinal de que haveria muito trabalho pela frente. E é disso que eu gosto! =]
Abaixo, uma foto do estado que ela chegou:
Já dá pra perceber que está toda suja, com manchas no acabamento e faltando o botão que aciona a mudança de rotações além da borracha do prato.
Por dentro, o estado também não era muito animador. Na foto acima o estado da mecânica e a polia de borracha que traciona o prato, "podres", por assim dizer.
O circuito também estava bem deteriorado, tanto que seria loucura tentar ligar à tomada antes de proceder a troca de todos componentes que perderam suas características com o passar dos anos. Claro, isso foi feito, todos componentes testados um a um, trocados os ruins, os potenciômetros de volume e tonalidade desmontados e limpos. Bom, essa foi uma daquelas qe troquei quase todos componentes eletrônicos e ainda uma das válvulas - e ela usa só duas!
Circuito remontado e testado, polia trocada e mecânica com graxa novinha, motor desmontado e com óleo novo, base do trocadiscos polida, metais polidos até mostrarem seu dourado original e caixa lavada. Isso mesmo: lavada, prá dai sim mostrar suas "true colors".
Mas ainda faltava o bendito botão seletor de rotações. Como já avisei antes, as postagens por aqui ainda não estão em ordem cronológica. E eis que eu antes desse aparelho, resturei outra Philips, de modelo posterior, mas que tinha o tal botão lá, íntegro.
Não tive dúvidas: tirei um molde e fiz uma cópia [não muito perfeita, mas vá lá] em massa plástica. E prá não destoar dos plásticos amarelados com o tempo - o que dá um belo charme nesse caso - pintei em cor marfim. Ficou bacana, nas fotos abaixo mostro a peripécia:
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| A cópia e o original |
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| A cópia pintada e reinstalada |
Por um toque de sorte, a mecânica envolvida nessa mudaça de rotações no Philips é de acionamento bastante suave e portanto o fato da cópia ter sido feita em massa plástica não compromete em nada a durabilidade.
No canto da foto também dá pra perceber o feltro marrom que colei ao prato que, na falta da borracha original, deu acabamento condizente e ainda é totalmente funcional. Até cogitei tirar um molde da borracha de outra Philips, mas achei que seria muito tempo investido pra mudar algo que deu ótimo resultado.
A vitrola veio com a cápsula fonocaptora original , mas sem funcionar; o passar dos anos cobrou a conta. Havia aqui na sucata uma carcaça de cápsula Philips, opcional à época e que ali adaptei uma cápsula nova em folha. Golpe de sorte ao passar por lojas de componentes eletrônicos que atuam há muito tempo.
A cápsula agora é uma LeSon de duas agulhas. Ótimo, pois se pode ouvir discos antigos de 78RPM das décadas de 1920 em diante ou mesmo LPs modernos, bastanto selecionar a agulha adequada a cada um dos tipos de disco.
A cápsula original também proporcionava essa possibilidade, mas a LeSon tem desempenho muito superior à original em tocar discos antigos, fora o fato de que esta tem duas agulhas e se uma gastar, troca-se só a gasta e aproveita-se a outra até o fim. A Original é agulha simples de duas faces, se uma gastar, tem que se usar a outra até o fim pra daí trocar a agulha.Ou então trocar a agulha e perder metade dela, por assim dizer.
Enfim, tudo limpo, lubrificado, peça fabricada., circuito OK, falante limpo... É hora já de mostrar como ficou e com que desempenho ela funciona.
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| Limpa e pronta! |
Na última segunda-feira a expus juntamente a outro modelo que falo em momento oportuno, num evento chamado SezJazz, um ensaio aberto de conjunto de Jazz mais exposição de arte contemporânea, bazar de roupas e espaço gourmet. E nos intervalos da apresentação ao vivo, lá foi a Philips fazer seu som pra entreter aos que estavam presentes.
Como fui sem câmera, que como já contei pifou, não tenho fotos desse evento em especial. Ainda assim, apresento um dos vídeos do meu canal do Youtube, que bem mostra a belezinha em funcionamento. E tocando LP novinho em folha, que é pra contrastar mesmo!
E finalizndo, mais um vídeo, que é pra viajar no tempo. Falei que ela tem desempenho excepcional ao tocar discos muito antigos de 78RPM. E aqui então vai Brasileirinho, a primeira gravação dessa música, do ano 1949. Boa viagem no tempo! P.S.: A cor azul da caixa de som é por culpa da câmera, como viu-se nas fotos, na verdade ela é verde.




